GOSTO DE CEREJA (TA'M E GUILASS, 1997)
"Seguido por uma série de questionamentos, Kiarostami nos devolve uma resolução em formato metalingüístico. No encerramento, imagens de bastidores gravadas em VHS cortam o clímax para se reafirmarem diante de nossos olhos: o cinema nada mais é do que uma ilusão."
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PROCURA-SE SUSAN DESESPERADAMENTE (DESPERATELY SEEKING SUSAN, 1985)
"A questão a ser levantada é de que a película, mesmo soando bastante leve e descontraída, configura uma bela análise sobre as relações humanas e as implicações que estas aportam à vida de inúmeras pessoas ao mesmo tempo. Os mal-entendidos, suas conseqüências e, por último, seus esclarecimentos também são pontos sensíveis a Seidelman."
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O SANGUE DAS BESTAS (LE SANG DES BÊTES, 1949)
"Se para muita gente o filme tende a se erguer como uma aguda reação ao apetite humano por carne, existe nele a urgência de escancarar os métodos aplicados nos velhos matadouros, recintos onde a sujeira e os maus odores se embaralhavam para tornar ainda mais cruéis as imagens, nada além de um simples registro histórico."
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A MARCA DA MALDADE (TOUCH OF EVIL, 1958)
"Rico na estilização, o filme invoca a literatura policial barata, os chamados pulp fictions, por meio de um aspecto lúgubre e vulgar, com fotografia impecável de Russell Metty, que aproveita o jogo de luzes e sombras oscilantes para esbanjar na tela um forte contraste entre um branco leitoso e um preto chapado, e a cenografia de Robert Clatworthy e Alexander Golitzen, exibindo um vilarejo desenhado como um enorme e sujo labirinto de blocos."
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ECOS DA MONTANHA (YAMA NO OTO, 1954)
"O elenco de Ecos da Montanha é avaliado sob uma ótica bastante próxima a de Yasujiro Ozu. Naruse, entretanto, é bem mais ácido, não tem o cuidado de suavizar a rudeza de alguns personagens."
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NA MIRA DA MORTE (TARGETS, 1968)
"Por um lado, o cineasta esbanja o catálogo fílmico com o qual se gabaria anos mais tarde por meio de livros e documentários sobre a sétima arte; por outro, ele revela um apuro técnico que foi capaz de despertar a atenção de seu padrinho (Corman) e de torná-lo, então, um dos mais promissores nomes do cinema americano da década de 70."
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O SUL (EL SUR, 1983)
"Sendo incapaz de conter as lágrimas, Estrella dá início à recapitulação de sua vida, ancorando-se a pequenos acontecimentos que encadeiam o belo álbum de recordações que o cineasta espanhol Victor Erice tratou de compilar no deslumbrante O Sul."
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TRÊS HOMENS EM CONFLITO (IL BUONO, IL BRUTTO, IL CATTIVO, 1966)
"O labirinto de cruzes e pedras sepulcrais ganha ares de platéia, enquanto que o aguardado gunfight se dá num círculo de solo rachado, como se os três atores principais fossem gladiadores se preparando para a luta numa imensa arena romana."
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A CALDEIRA DO DIABO (PEYTON PLACE, 1957)
"Tudo, à primeira vista, parece calmo e idílico em Peyton Place. Assim que a câmera se aproxima, obrigando-nos a olhar cada vez mais de perto, percebemos o quão mentirosas foram aquelas seqüências inaugurais."
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VIOLÊNCIA GRATUITA (FUNNY GAMES, 1997)
"Aqui, o horror vem da própria high society, em que jovens, na impressão de terem tudo que almejam, saem em busca de novos métodos de passatempo, o que é rapidamente encontrado nos mais variados atos ilícitos, como o consumo de drogas, brigas de rua, estupros, pequenos assaltos e por aí vai."
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REBECCA: A MULHER INESQUECÍVEL (REBECCA, 1940)
"Hitchcock edifica um trabalho majestoso de terror sem exatamente ser um filme de terror, adotando a atmosfera que se tornaria clássica no gênero noir: uma morte misteriosa, personagens ambíguos, cenas noturnas e angulações de câmera herdadas da escola expressionista alemã."
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MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO (SALINUI CHUEOK, 2003)
"É um material pesado, sim, mas o diretor vai aliviando a carga ao depositar uma nova informação a cada minuto, um novo elemento, tudo na confecção de uma trama que rodopia em espiral, provocando ânsia e frustração nos espectadores. "
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TRILOGIA APU (PATHER PANCHALI, APARAJITO, APU SANSAR / 1955, 1956, 1959)
"Era tudo verdade, os críticos estavam certos. A sensibilidade com que Satyajit radiografa seu herói, a cada fita de um modo integralmente novo, chega a ser comovente."
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CABARET (CABARET, 1972)
"Seria Cabaret o último grande musical de Hollywood? Provavelmente, penso eu. Depois dele, seriam lançadas outras obras do gênero que fizeram enorme sucesso de público e de crítica, como Grease, Evita e Chicago, entre outras, mas nenhuma conseguiu fazer sombra ou atenuar a força do mais memorável trabalho de Bob Fosse."
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O MARTÍRIO DE JOANA D'ARC (LA PASSION DE JEANNE D'ARC, 1928)
"Nada, absolutamente nada que se diga a respeito de O Martírio de Joana D’Arc, do mítico cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer, pode chegar aos pés desse filme-monstro, verdadeiro diamante lapidado da Sétima Arte. Se eu pudesse escolher apenas um pequeno grupo de dez filmes a ser salvo de um desastre atômico no planeta Terra, O Martírio de Joana D’Arc, com certeza, estaria na minha 'cápsula do tempo'."
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CRÍA CUERVOS (CRÍA CUERVOS, 1976)
"As fotografias de viagens, festejos e demais eventos alegres exibidas na abertura do longa dão clara pista do que está por vir: um emaranhado de lembranças, típico daqueles 'filmes chororô' que costumam levar pra casa uma penca de prêmios (mas Cría Cuervos está longe de ser um melodrama vulgar, devo sublinhar)."
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RIO VIOLENTO (WILD RIVER, 1960)
"Ambientado no inóspito extremo-sul americano dos anos 30, Rio Violento é um doloroso álbum de recordações do diretor turco Elia Kazan, um scrapbook no qual pôde grampear cenas que remontam toda uma época conturbada e repleta de cicatrizes profundas."
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HORAS DE DESESPERO (THE DESPERATE HOURS, 1955)
"Do início ao fim, Bogart (em seu penúltimo filme) mostra quem está no comando: um homem estável, sagaz, atento aos mínimos detalhes que podem estragar os planos de sua fuga; ele jamais esteve tão repugnante como em Horas de Desespero, nem mesmo em A Floresta Petrificada, no qual ele também interpreta um perigoso vilão que mantém um grupo de pessoas inocentes sob a mira do revólver."
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ROSETTA (ROSETTA, 1999)
"A redenção é conquistada por meio de inúmeros detalhes enxertados no script, às vezes uma pequena frase ou a introdução de algum coadjuvante, que nos dão aquele “clique” necessário para notar a genealogia do problema e as motivações dos protagonistas. O lado psicológico, portanto, é esmiuçado a fundo. Os Dardenne reciclam cada fotograma, cada palavra proferida, cada gesto, para nos despachar conclusões filosóficas e sempre metralhadas de angústia."
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"Seguido por uma série de questionamentos, Kiarostami nos devolve uma resolução em formato metalingüístico. No encerramento, imagens de bastidores gravadas em VHS cortam o clímax para se reafirmarem diante de nossos olhos: o cinema nada mais é do que uma ilusão."
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PROCURA-SE SUSAN DESESPERADAMENTE (DESPERATELY SEEKING SUSAN, 1985)
"A questão a ser levantada é de que a película, mesmo soando bastante leve e descontraída, configura uma bela análise sobre as relações humanas e as implicações que estas aportam à vida de inúmeras pessoas ao mesmo tempo. Os mal-entendidos, suas conseqüências e, por último, seus esclarecimentos também são pontos sensíveis a Seidelman."
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O SANGUE DAS BESTAS (LE SANG DES BÊTES, 1949)
"Se para muita gente o filme tende a se erguer como uma aguda reação ao apetite humano por carne, existe nele a urgência de escancarar os métodos aplicados nos velhos matadouros, recintos onde a sujeira e os maus odores se embaralhavam para tornar ainda mais cruéis as imagens, nada além de um simples registro histórico."
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A MARCA DA MALDADE (TOUCH OF EVIL, 1958)
"Rico na estilização, o filme invoca a literatura policial barata, os chamados pulp fictions, por meio de um aspecto lúgubre e vulgar, com fotografia impecável de Russell Metty, que aproveita o jogo de luzes e sombras oscilantes para esbanjar na tela um forte contraste entre um branco leitoso e um preto chapado, e a cenografia de Robert Clatworthy e Alexander Golitzen, exibindo um vilarejo desenhado como um enorme e sujo labirinto de blocos."
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ECOS DA MONTANHA (YAMA NO OTO, 1954)
"O elenco de Ecos da Montanha é avaliado sob uma ótica bastante próxima a de Yasujiro Ozu. Naruse, entretanto, é bem mais ácido, não tem o cuidado de suavizar a rudeza de alguns personagens."
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NA MIRA DA MORTE (TARGETS, 1968)
"Por um lado, o cineasta esbanja o catálogo fílmico com o qual se gabaria anos mais tarde por meio de livros e documentários sobre a sétima arte; por outro, ele revela um apuro técnico que foi capaz de despertar a atenção de seu padrinho (Corman) e de torná-lo, então, um dos mais promissores nomes do cinema americano da década de 70."
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O SUL (EL SUR, 1983)
"Sendo incapaz de conter as lágrimas, Estrella dá início à recapitulação de sua vida, ancorando-se a pequenos acontecimentos que encadeiam o belo álbum de recordações que o cineasta espanhol Victor Erice tratou de compilar no deslumbrante O Sul."
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TRÊS HOMENS EM CONFLITO (IL BUONO, IL BRUTTO, IL CATTIVO, 1966)
"O labirinto de cruzes e pedras sepulcrais ganha ares de platéia, enquanto que o aguardado gunfight se dá num círculo de solo rachado, como se os três atores principais fossem gladiadores se preparando para a luta numa imensa arena romana."
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A CALDEIRA DO DIABO (PEYTON PLACE, 1957)
"Tudo, à primeira vista, parece calmo e idílico em Peyton Place. Assim que a câmera se aproxima, obrigando-nos a olhar cada vez mais de perto, percebemos o quão mentirosas foram aquelas seqüências inaugurais."
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VIOLÊNCIA GRATUITA (FUNNY GAMES, 1997)
"Aqui, o horror vem da própria high society, em que jovens, na impressão de terem tudo que almejam, saem em busca de novos métodos de passatempo, o que é rapidamente encontrado nos mais variados atos ilícitos, como o consumo de drogas, brigas de rua, estupros, pequenos assaltos e por aí vai."
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REBECCA: A MULHER INESQUECÍVEL (REBECCA, 1940)
"Hitchcock edifica um trabalho majestoso de terror sem exatamente ser um filme de terror, adotando a atmosfera que se tornaria clássica no gênero noir: uma morte misteriosa, personagens ambíguos, cenas noturnas e angulações de câmera herdadas da escola expressionista alemã."
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MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO (SALINUI CHUEOK, 2003)
"É um material pesado, sim, mas o diretor vai aliviando a carga ao depositar uma nova informação a cada minuto, um novo elemento, tudo na confecção de uma trama que rodopia em espiral, provocando ânsia e frustração nos espectadores. "
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TRILOGIA APU (PATHER PANCHALI, APARAJITO, APU SANSAR / 1955, 1956, 1959)
"Era tudo verdade, os críticos estavam certos. A sensibilidade com que Satyajit radiografa seu herói, a cada fita de um modo integralmente novo, chega a ser comovente."
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CABARET (CABARET, 1972)
"Seria Cabaret o último grande musical de Hollywood? Provavelmente, penso eu. Depois dele, seriam lançadas outras obras do gênero que fizeram enorme sucesso de público e de crítica, como Grease, Evita e Chicago, entre outras, mas nenhuma conseguiu fazer sombra ou atenuar a força do mais memorável trabalho de Bob Fosse."
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O MARTÍRIO DE JOANA D'ARC (LA PASSION DE JEANNE D'ARC, 1928)
"Nada, absolutamente nada que se diga a respeito de O Martírio de Joana D’Arc, do mítico cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer, pode chegar aos pés desse filme-monstro, verdadeiro diamante lapidado da Sétima Arte. Se eu pudesse escolher apenas um pequeno grupo de dez filmes a ser salvo de um desastre atômico no planeta Terra, O Martírio de Joana D’Arc, com certeza, estaria na minha 'cápsula do tempo'."
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CRÍA CUERVOS (CRÍA CUERVOS, 1976)
"As fotografias de viagens, festejos e demais eventos alegres exibidas na abertura do longa dão clara pista do que está por vir: um emaranhado de lembranças, típico daqueles 'filmes chororô' que costumam levar pra casa uma penca de prêmios (mas Cría Cuervos está longe de ser um melodrama vulgar, devo sublinhar)."
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RIO VIOLENTO (WILD RIVER, 1960)
"Ambientado no inóspito extremo-sul americano dos anos 30, Rio Violento é um doloroso álbum de recordações do diretor turco Elia Kazan, um scrapbook no qual pôde grampear cenas que remontam toda uma época conturbada e repleta de cicatrizes profundas."
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HORAS DE DESESPERO (THE DESPERATE HOURS, 1955)
"Do início ao fim, Bogart (em seu penúltimo filme) mostra quem está no comando: um homem estável, sagaz, atento aos mínimos detalhes que podem estragar os planos de sua fuga; ele jamais esteve tão repugnante como em Horas de Desespero, nem mesmo em A Floresta Petrificada, no qual ele também interpreta um perigoso vilão que mantém um grupo de pessoas inocentes sob a mira do revólver."
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ROSETTA (ROSETTA, 1999)
"A redenção é conquistada por meio de inúmeros detalhes enxertados no script, às vezes uma pequena frase ou a introdução de algum coadjuvante, que nos dão aquele “clique” necessário para notar a genealogia do problema e as motivações dos protagonistas. O lado psicológico, portanto, é esmiuçado a fundo. Os Dardenne reciclam cada fotograma, cada palavra proferida, cada gesto, para nos despachar conclusões filosóficas e sempre metralhadas de angústia."
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