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Todas as resenhas já publicadas no blog Cinema-Filia.

9.9.07

GOSTO DE CEREJA (TA'M E GUILASS, 1997)
"Seguido por uma série de questionamentos, Kiarostami nos devolve uma resolução em formato metalingüístico. No encerramento, imagens de bastidores gravadas em VHS cortam o clímax para se reafirmarem diante de nossos olhos: o cinema nada mais é do que uma ilusão."
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PROCURA-SE SUSAN DESESPERADAMENTE (DESPERATELY SEEKING SUSAN, 1985)
"A questão a ser levantada é de que a película, mesmo soando bastante leve e descontraída, configura uma bela análise sobre as relações humanas e as implicações que estas aportam à vida de inúmeras pessoas ao mesmo tempo. Os mal-entendidos, suas conseqüências e, por último, seus esclarecimentos também são pontos sensíveis a Seidelman."
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O SANGUE DAS BESTAS (LE SANG DES BÊTES, 1949)
"Se para muita gente o filme tende a se erguer como uma aguda reação ao apetite humano por carne, existe nele a urgência de escancarar os métodos aplicados nos velhos matadouros, recintos onde a sujeira e os maus odores se embaralhavam para tornar ainda mais cruéis as imagens, nada além de um simples registro histórico."
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A MARCA DA MALDADE (TOUCH OF EVIL, 1958)
"Rico na estilização, o filme invoca a literatura policial barata, os chamados pulp fictions, por meio de um aspecto lúgubre e vulgar, com fotografia impecável de Russell Metty, que aproveita o jogo de luzes e sombras oscilantes para esbanjar na tela um forte contraste entre um branco leitoso e um preto chapado, e a cenografia de Robert Clatworthy e Alexander Golitzen, exibindo um vilarejo desenhado como um enorme e sujo labirinto de blocos."
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ECOS DA MONTANHA (YAMA NO OTO, 1954)
"O elenco de Ecos da Montanha é avaliado sob uma ótica bastante próxima a de Yasujiro Ozu. Naruse, entretanto, é bem mais ácido, não tem o cuidado de suavizar a rudeza de alguns personagens."
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NA MIRA DA MORTE (TARGETS, 1968)
"Por um lado, o cineasta esbanja o catálogo fílmico com o qual se gabaria anos mais tarde por meio de livros e documentários sobre a sétima arte; por outro, ele revela um apuro técnico que foi capaz de despertar a atenção de seu padrinho (Corman) e de torná-lo, então, um dos mais promissores nomes do cinema americano da década de 70."
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O SUL (EL SUR, 1983)
"Sendo incapaz de conter as lágrimas, Estrella dá início à recapitulação de sua vida, ancorando-se a pequenos acontecimentos que encadeiam o belo álbum de recordações que o cineasta espanhol Victor Erice tratou de compilar no deslumbrante O Sul."
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TRÊS HOMENS EM CONFLITO (IL BUONO, IL BRUTTO, IL CATTIVO, 1966)
"O labirinto de cruzes e pedras sepulcrais ganha ares de platéia, enquanto que o aguardado gunfight se dá num círculo de solo rachado, como se os três atores principais fossem gladiadores se preparando para a luta numa imensa arena romana."
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A CALDEIRA DO DIABO (PEYTON PLACE, 1957)
"Tudo, à primeira vista, parece calmo e idílico em Peyton Place. Assim que a câmera se aproxima, obrigando-nos a olhar cada vez mais de perto, percebemos o quão mentirosas foram aquelas seqüências inaugurais."
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VIOLÊNCIA GRATUITA (FUNNY GAMES, 1997)
"Aqui, o horror vem da própria high society, em que jovens, na impressão de terem tudo que almejam, saem em busca de novos métodos de passatempo, o que é rapidamente encontrado nos mais variados atos ilícitos, como o consumo de drogas, brigas de rua, estupros, pequenos assaltos e por aí vai."
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REBECCA: A MULHER INESQUECÍVEL (REBECCA, 1940)
"Hitchcock edifica um trabalho majestoso de terror sem exatamente ser um filme de terror, adotando a atmosfera que se tornaria clássica no gênero noir: uma morte misteriosa, personagens ambíguos, cenas noturnas e angulações de câmera herdadas da escola expressionista alemã."
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MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO (SALINUI CHUEOK, 2003)
"É um material pesado, sim, mas o diretor vai aliviando a carga ao depositar uma nova informação a cada minuto, um novo elemento, tudo na confecção de uma trama que rodopia em espiral, provocando ânsia e frustração nos espectadores. "
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TRILOGIA APU (PATHER PANCHALI, APARAJITO, APU SANSAR / 1955, 1956, 1959)
"Era tudo verdade, os críticos estavam certos. A sensibilidade com que Satyajit radiografa seu herói, a cada fita de um modo integralmente novo, chega a ser comovente."
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CABARET (CABARET, 1972)
"Seria Cabaret o último grande musical de Hollywood? Provavelmente, penso eu. Depois dele, seriam lançadas outras obras do gênero que fizeram enorme sucesso de público e de crítica, como Grease, Evita e Chicago, entre outras, mas nenhuma conseguiu fazer sombra ou atenuar a força do mais memorável trabalho de Bob Fosse."
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O MARTÍRIO DE JOANA D'ARC (LA PASSION DE JEANNE D'ARC, 1928)
"Nada, absolutamente nada que se diga a respeito de O Martírio de Joana D’Arc, do mítico cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer, pode chegar aos pés desse filme-monstro, verdadeiro diamante lapidado da Sétima Arte. Se eu pudesse escolher apenas um pequeno grupo de dez filmes a ser salvo de um desastre atômico no planeta Terra, O Martírio de Joana D’Arc, com certeza, estaria na minha 'cápsula do tempo'."
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CRÍA CUERVOS (CRÍA CUERVOS, 1976)
"As fotografias de viagens, festejos e demais eventos alegres exibidas na abertura do longa dão clara pista do que está por vir: um emaranhado de lembranças, típico daqueles 'filmes chororô' que costumam levar pra casa uma penca de prêmios (mas Cría Cuervos está longe de ser um melodrama vulgar, devo sublinhar)."
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RIO VIOLENTO (WILD RIVER, 1960)
"Ambientado no inóspito extremo-sul americano dos anos 30, Rio Violento é um doloroso álbum de recordações do diretor turco Elia Kazan, um scrapbook no qual pôde grampear cenas que remontam toda uma época conturbada e repleta de cicatrizes profundas."
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HORAS DE DESESPERO (THE DESPERATE HOURS, 1955)
"Do início ao fim, Bogart (em seu penúltimo filme) mostra quem está no comando: um homem estável, sagaz, atento aos mínimos detalhes que podem estragar os planos de sua fuga; ele jamais esteve tão repugnante como em Horas de Desespero, nem mesmo em A Floresta Petrificada, no qual ele também interpreta um perigoso vilão que mantém um grupo de pessoas inocentes sob a mira do revólver."
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ROSETTA (ROSETTA, 1999)
"A redenção é conquistada por meio de inúmeros detalhes enxertados no script, às vezes uma pequena frase ou a introdução de algum coadjuvante, que nos dão aquele “clique” necessário para notar a genealogia do problema e as motivações dos protagonistas. O lado psicológico, portanto, é esmiuçado a fundo. Os Dardenne reciclam cada fotograma, cada palavra proferida, cada gesto, para nos despachar conclusões filosóficas e sempre metralhadas de angústia."
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5.4.07

ACONTECEU NAQUELA NOITE (IT HAPPENED ONE NIGHT, 1934)
"Epítome da comédia romântica americana, Aconteceu Naquela Noite é daqueles filmes que cativam qualquer espectador, amolecem e confortam os mais duros corações. Fez estrondoso sucesso comercial e, apesar da indiferença dos críticos na ocasião de seu lançamento, abocanhou o Oscar nas cinco categorias principais."
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ORGULHO E PRECONCEITO (PRIDE & PREJUDICE, 2005)
"Nas mãos do estreante Joe Wright, o romance retornou às telas, 55 anos depois, com ainda mais graça e leveza. Misturando drama e comédia, Wright fez questão de trabalhar num tom zombeteiro — e nem por isso menos humano — a obsessão da sra. Bennet (Brenda Blethyn) em casar suas cinco filhas."
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ALMAS EM LEILÃO (ROOM AT THE TOP, 1959)
"Em 1959, o tema principal de Almas em Leilão causou certo choque ou aborrecimento nas platéias daquele meio-século. Com sua câmera, o diretor inglês Jack Clayton registrou diálogos sugestivos, sufocados de agitação sexual (só escutados anteriormente em peças de Tennessee Williams), e personagens de conduta discutível."
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O BAILE (LE BAL, 1983)
"A ausência total de diálogos confere ao roteiro uma perigosa incursão no mundo da pantomima em plena década de 80, além de uma cuidadosa coreografia musical que realça o enfoque emocional de cada situação. A dramaturgia da fita depende exclusivamente da mise-en-scène, uma tarefa hiperarriscada!"
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O EXÉRCITO DAS SOMBRAS (L'ARMÉE DES OMBRES, 1969)
"Com quase quatro décadas de atraso, o thriller de guerra de Jean-Pierre Melville finalmente ganhou lançamento em algumas salas americanas, restringindo-se, é claro, ao circuito de arte, o que contribuiu para seu revival."
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A GENERAL (THE GENERAL, 1927)
"Quinta-essência do cinema mudo, A General tem a prerrogativa inerente daquilo que se pode chamar de perfeição. Por uma triste circunstância, o mau desempenho nas bilheterias resultou no fim da independência artística de seu autor. Apesar de ter estrelado mais quatro filmes bastante rentáveis em seguida, entre eles o excelente Marinheiro de Encomenda (1928), Keaton teve de se submeter a um controle rígido na MGM a partir de 1930, limitando-se a atuar em projetos menores, escritos e dirigidos por outras pessoas."
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A NOITE (LA NOTTE, 1961)
"Da famosa “trilogia da incomunicabilidade”, idealizada por Michelangelo Antonioni, A Noite, costumo afirmar, é o único filme que me agradou por completo. A personagem de Jeanne Moreau, Lidia, é talvez a mais próxima da realidade de toda a obra do cineasta italiano. Ela simboliza a mais pura condição de enfado e tristeza que um indivíduo é obrigado a sustentar no momento em que percebe a crise no próprio casamento."
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ERASERHEAD (ERASERHEAD, 1977)
"Seu realizador, David Lynch (para mim, o maior cineasta em exercício no mundo), se nega até hoje a pronunciar uma única palavra sobre ele — cabe ao espectador elaborar a própria interpretação. Eraserhead não se encaixa a qualquer gênero; já foi chamado de terror, comédia de humor-negro, drama, neo-noir, ficção científica, etc. Num plano geral, trata-se de uma alucinante viagem ao universo imperfeito e cheio de arestas da condição humana, esboço daquilo que se transformaria no mote essencial da carreira de Lynch."
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O CONFORMISTA (IL CONFORMISTA, 1970)
"Provavelmente o mais bem-finalizado filme de Bernardo Bertolucci, O Conformista é muito mais do que uma alegoria política. O elenco adquire um tratamento de extrema frieza e decadência, algo tão comum na obra de diretores italianos do mesmo período (de Fellini a Pasolini), porém sem jamais abandonar o crível dos episódios descritos. Impregnado até os cabelos de elementos subliminares e metafóricos, o filme faz apelo para discussões filosóficas sobre o amadurecimento de um indivíduo em meio a uma sociedade reprimida pela ditadura."
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NASCE UMA ESTRELA (A STAR IS BORN, 1954)
"Esqueça a refilmagem de 1976; é péssima! Esqueça a fita original, de 1937; não é boa o suficiente. A versão intermediária de Nasce uma Estrela, lançada em 1954, é de longe a melhor — consenso absoluto entre críticos e cinéfilos. O diretor George Cukor deixa nítido que o filme é de Judy Garland. Foi feito para ela, ponto final."
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MEU VIZINHO TOTORO (TONARI NO TOTORO, 1988)
"Meu Vizinho Totoro é o tipo de filme feito para a família que seduz desde o netinho de 5 anos até a vovó de 70. A trama é simples, uma narrativa linear, não há maldade em nenhum frame, nenhum conflito, ameaça ou perigo. Trata-se apenas de uma história bonitinha, de desenhos graciosos (atributo, creio eu, inerente a toda animação japonesa), com personagens encantadores e um final emocionante."
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FILHOS DO PARAÍSO (BACHEHA-YE ASEMAN, 1997)
"Com personagens humanos e simplórios, Majidi realiza um filme que manipula as emoções do público sem nenhuma dificuldade. Os atores mirins Mir Farrokh Hashemian e Bahare Seddiqi estão sempre prestes a nos comover com seus imensos olhos pretos, transbordantes de lágrimas. O que faz de Filhos do Paraíso um trabalho excepcional, longe de ser um melodrama barato, é o modo como alerta sobre as desigualdades sociais através de objetos e atitudes de aparência singela."
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ONDE COMEÇA O INFERNO (RIO BRAVO, 1959)
"Diferente do gigante do western John Ford, Hawks não tinha pretensões de renovar ou transcender o gênero, mas sim retrabalhar todos os clichês do Velho Oeste, dando mais profundidade à psicologia de seus personagens, o que seria depois referência básica nos filmes de Sergio Leone, decerto com mais exagero (e nem por isso com menos originalidade e brilho)."
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A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER (DER UNTERGANG, 2004)
"Poucos dias antes de se matar, a imagem de Hitler já não era mais a de um monstro em seu auge, mas sim a de um velho patético, acometido pelo Mal de Parkinson, enlouquecido por sua iminente derrota e convencido de que todos o haviam traído. Ele se recusa a deixar Berlin, permanece trancafiado no Bunker, rodeado pelos poucos oficiais que ainda lhe obedecem com lealdade."
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PACTO DE SANGUE (DOUBLE INDEMNITY, 1944)
"Ele matou um homem. Fez isso por dinheiro e por uma mulher. Entretanto, ficou sem o dinheiro e sem a mulher. Walter Neff, bem-sucedido corretor de seguros, tem a vida destruída por causa de um capricho maquiavélico arquitetado pela sensual e diabólica Phyllis Dietrichson. Em poucos minutos, podemos situar-nos na história e deduzir o desfecho. Neff e Phyllis tiveram um caso de amor... E planejaram um crime: mataram o marido dela. Com Pacto de Sangue, o cineasta Billy Wilder fez de um manifesto de culpa e consciência um dos pilares das fitas de mistério, uma espécie de paradigma do film noir."
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OURO E MALDIÇÃO (GREED, 1924)
"Não é preciso mencionar que a versão original tinha cerca de 9 horas de duração e que o produtor executivo, Irving Thalberg, mandou reduzir a pouco mais de 2 horas, fato já trazido à baila por livros e sites especializados centenas de vezes. Naquela época era comum os estúdios reaproveitarem o nitrato de prata contido nas películas, dificilmente uma matriz original era preservada (sim, uma porção de filmes mudos foi extinta para sempre!). Foi esse o provável destino das 7 horas excedentes de Ouro e Maldição, ainda que muita gente prefira acreditar que o material esteja num sótão qualquer, esperando um dia ser descoberto."
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NINOTCHKA (NINOTCHKA, 1939)
"Junte dois mestres da comédia política e social da clássica Hollywood e, eu garanto, você terá algo bastante especial. Na direção, o experiente Ernst Lubitsch, que lançou no início dos anos 30, entre outros, Ladrão de Alcova e A Viúva Alegre; no roteiro, co-assinando com Charles Breckett e Walter Reisch, o ainda pouco conhecido Billy Wilder, que mais tarde se transformaria no realizador de obras premiadas como Quanto Mais Quente Melhor e Se Meu Apartamento Falasse. O resultado: Ninotchka, filme mundialmente conhecido pelo slogan 'Garbo laughs' ('Garbo ri')."
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A MULHER DE AREIA (SUNA NO ONNA, 1964)
"A areia, sempre em movimento, ganha uma carga simbólica de extrema relevância, metáfora para a passagem do tempo, como se o barraco de madeira tivesse sido enfiado numa grande ampulheta. Quanto mais o homem e a mulher cavam, mais areia aparece. O trabalho não tem remate. A mulher explica que a areia é vendida pelos nativos para a construção civil. Em troca, recebe água e comida semanalmente. Estaria ela sendo punida por algum crime?"
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TEMPO DE DIVERSÃO (PLAY TIME, 1967)
"Foram quase dez anos de espera para que Tati lançasse um novo trabalho, período no qual escreveu e reescreveu o roteiro mais ambicioso de sua carreira, demandando um orçamento sem precedentes. Exigiu a construção de cenários faraônicos, brigou com dezenas de técnicos e executivos do estúdio, obrigou atores a repetir incessantemente as mesmas cenas. Com o material bruto nas mãos, fez uma primeira montagem de quase 3 horas de duração, mas os produtores foram reduzindo e reduzindo, até aprovarem uma versão com cerca de 2 horas."
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SAPATINHOS VERMELHOS (THE RED SHOES, 1948)
"Costuma-se afirmar que nunca houve outro retrato tão fiel ao mundo do balé como o filme de Powell e Pressburger. Há de tudo um pouco: da competição à amizade, a busca incansável pela perfeição, os dançarinos de trejeitos afeminados, os longos ensaios, a excitação da trupe perante o público numa noite de estréia, etc. Mas, na verdade, o tema é ainda mais denso, em especial no âmbito das relações humanas. E é, sobretudo, uma história de amor."
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O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (THE TEXAS CHAIN SAW MASSACRE, 1974)
"O que faz de O Massacre da Serra Elétrica um grande filme, porém, não é sua capacidade de causar medo, é o incômodo que ele infunde nos cinéfilos há mais de três décadas. A durabilidade de um filme de terror é algo extremamente difícil de se obter, são poucos os que conseguem ultrapassar a barreira do tempo sem cair no ridículo."
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A GRANDE ILUSÃO (LA GRANDE ILLUSION, 1937)
"A Grande Ilusão não é apenas um filme antibélico. É, principalmente, o trabalho de reflexão sobre o fim de um período. O que destaca a “Guerra 14-18” dos demais conflitos que explodiram anos mais tarde é o nítido choque de classes dentre os próprios militares, idéia caracterizada pelas conversas que o aristocrata Boeldieu (Pierre Fresnay), capitão das Forças Armadas da França, tem com o chefe da esquadrilha alemã, Von Rauffenstein: trata-se de uma guerra liderada por cavalheiros, descendentes da hierarquia e elite européia."
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O DESESPERO DE VERONIKA VOSS (DIE SEHNSUCHT DER VERONIKA VOSS, 1982)
"A poucos meses de ingerir uma combinação letal de drogas e álcool, o diretor alemão Rainer Werner Fassbinder lançou seu penúltimo filme, O Desespero de Veronika Voss, inspirado na história real de Sybille Schmitz, atriz que havia experimentado sucesso considerável durante o nazismo, esquecida nos anos do pós-guerra. A decadência levou Sybille à morte por overdose no fim dos anos 50. Parece uma terrível coincidência, não? Um triste presságio..."
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CHINATOWN (CHINATOWN, 1974)
"O mundo é repleto de corrupção. E de segredos de família. Ao menos é isso que Roman Polanski nos sugere em Chinatown. De um lado, homens ricos e poderosos capazes de atos inenarráveis em troca de mais dinheiro e poder. De outro, vítimas do destino que lutam para esconder o passado vergonhoso, manifestando uma falsa indiferença pelos fatos que as rodeiam. Mas há também um personagem peculiar: o detetive Jake J. Gittes, um sujeitinho solitário, de cinismo e cordialidade excessiva, às vezes brutamontes, e com um humor particularmente ácido (poucos notam, mas ele tem uma foto de Groucho Marx pendurada na parede do escritório). "

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TUDO SOBRE MINHA MÃE (TODO SOBRE MI MADRE, 1999)
"O estilo kitsch não é nenhum obstáculo para que Pedro Almodóvar receba o justíssimo título de gênio. Ele pode construir seus melodramas no mais espalhafatoso modelo “brega e chique”, mas, convenhamos, o cineasta espanhol possui total destreza e domínio de narrativa. Acompanhamos seus filmes com entusiasmo, fascínio, o tempo voa, as cenas fluem sem nos darmos conta. Desde muito tempo, Almodóvar vem despertando a atenção dos críticos e cinéfilos do mundo inteiro. E qual seria sua obra mais perfeita? Difícil escolher. São trabalhos sempre tão plenos de originalidade, reviravoltas, personagens singulares, complexos. Um deles, porém, merece destaque em particular: Tudo sobre Minha Mãe."
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JOHNNY GUITAR (JOHNNY GUITAR, 1954)
"O western é o mais americano dos gêneros. Sua genealogia, inclusive, é anterior ao surgimento do cinema, quando canções populares, livros e demais segmentos culturais já evocavam a iconografia dos cowboys, xerifes e bandidos. É também um gênero tipicamente masculino, no qual as mulheres são, na maior parte das vezes, relegadas a papéis secundários ou a papéis um tanto ingratos, transformando-se em provocadoras de disputas, atrasos ou desentendimentos na vida dos homens. Contudo, em 1954, o diretor Nicholas Ray viria a subverter toda essa situação ao lançar um dos melhores faroestes de todos os tempos."
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VIVER A VIDA (VIVRE SA VIE: FILM EN DOUZE TABLEAUX, 1962)
"Confesso que não sou grande admirador dos filmes de Jean-Luc Godard. Na maioria das vezes, tive de buscar uma força sobre-humana para não interromper a exibição de trabalhos como Weekend à Francesa ou O Demônio das Onze Horas. No entanto, reconheço as qualidades narrativas de Acossado e — veja só! — admito que fiquei bastante entusiasmado com Viver a Vida, certamente seu mais belo e enigmático filme. "
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PAI E FILHA (BANSHUN, 1949)
Dizem que o dia do casamento é o dia mais feliz na vida de uma mulher, mas Noriko será a noiva mais triste do mundo. Em Pai e Filha, do grande diretor japonês Yasujiro Ozu, a moça se depara com tradições irrefragáveis e, com isso, é obrigada a fazer algo que ela não deseja. A vida tranqüila que tem ao lado do pai, de quem cuida desde a morte da mãe, vira motivo de preocupação entre seus amigos e familiares. Pelo visto, a idade de Noriko gira em torno dos 30 anos, contudo ela permanece solteira. “Você não crê que está na hora de se casar?”, indaga constantemente sua tia, que recebe a cada vez uma resposta negativa."

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O ANJO EXTERMINADOR (EL ÁNGEL EXTERMINADOR, 1962)
"Cerca de quinze pessoas estão confinadas em uma casa. Após algum tempo, elas param de fingir, demonstram seus verdadeiros sentimentos e personalidades, liberam instintos cada vez mais animalescos atrás de sobrevivência. Não estou falando do Big Brother, mas, sim, da incrível sátira O Anjo Exterminador, de Luís Buñuel, em que podemos saborear uma sofisticada e inteligente introdução ao surrealismo habitual da filmografia do aclamado cineasta espanhol. Com esse filme, rodado no México, Buñuel concebeu a mais contundente crítica à burguesia — e, de maneira geral, à natureza humana — de sua carreira."
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LUZES DA CIDADE (CITY LIGHTS, 1931)
"Suponhamos que alguém me pedisse para citar rapidamente a cena de filme que mais me marcou até hoje, eu teria a resposta na ponta da língua: o final de Luzes da Cidade. E pelo jeito, eu não seria o único a lembrar dessa cena. Os minutos derradeiros da maior obra-prima de Charles Chaplin sempre marcam presença nas diversas pesquisas que tentam eleger tópicos como “o melhor final do cinema”, “a cena mais romântica”, “a seqüência mais famosa”, etc. No final de Luzes da Cidade, todos os sentimentos referentes ao amor estão inseridos no olhar de Chaplin, em seus gestos. Um momento de pura magia que faz qualquer ser humano se arrepiar e se emocionar."
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INVERNO DE SANGUE EM VENEZA (DON'T LOOK NOW, 1973)
"Uma fábula sobre ceticismo e insatisfação sexual. É como eu classificaria o consagrado Inverno de Sangue em Veneza. Para muitos, um dos melhores filmes de terror da história do cinema. Entretanto, não o considero propriamente um filme de terror. Ok, pode conter alguns elementos sobrenaturais que o fazem parecer uma história de fantasmas, mas Inverno de Sangue em Veneza é, sobretudo, um suspense maravilhosamente bem-montado e um drama romântico repleto de sutilezas."
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FERVURA MÁXIMA (LAAT SAU SEN TAAM, 1992)
"Em Fervura Máxima, de John Woo, devemos prestar atenção em três personagens. O primeiro é um detetive que ostenta a curiosa e engraçada alcunha de “Tequila” (Chow Yun-Fat), determinado a se vingar do colega morto em um tiroteio. Há também Tony (Tony Leung Chiu-wai), policial infiltrado numa quadrilha de traficantes de armas disposto a descobrir o esconderijo do carregamento. Já o terceiro personagem não é interpretado por nenhum ator, mas pode-se afirmar que ele domina o filme por completo, do começo ao fim."

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SUSPIRIA (SUSPIRIA, 1977)
"Pode não ser o filme mais assustador de todos os tempos, mas Suspiria, além de ser o maior clássico de terror produzido na Itália, é uma obra de estilo singular e de visual arrebatador. Dario Argento, o cineasta por trás da obra, não quis deixar seu público na expectativa. Logo nas primeiras cenas, pode-se ter uma noção do que vem a seguir. Uma garota de mais ou menos 20 anos de idade, recém chegada dos EUA, dirige-se até a saída de um aeroporto alemão. Estranhamente, o lugar está quase vazio. A música cria uma atmosfera inquietante enquanto a jovem se aproxima de uma porta automática. De repente, a calmaria no interior do aeroporto faz contraste com a forte tempestade que tomba do lado de fora."
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A TERRA TREME (LA TERRA TREMA: EPISODIO DEL MARE, 1948)
"Uma velha amiga cinéfila de minha mãe, sempre que me vê, costuma brincar dizendo que odeia ver filmes sobre miséria e pobreza, que prefere histórias com gente elegante e luxuosa. Na década de 1940, não era comum encontrar algo que pudesse satisfazer uma espectadora com semelhante gosto, exceto pelas grandes produções de Hollywood (a fábrica de sonhos que jamais desapontaria um cinéfilo ávido por luxo e extravagância)."
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A TURBA (THE CROWD, 1928)
"Todo pai sonha com um “futuro brilhante” para o filho. Não poderia ser diferente o caso do sr. Sims. Ao tomar seu bebê recém-nascido no colo, a quem dá o nome de John, ele avisa: “O mundo irá falar deste menino”. Os anos se passam, o sr. Sims está morto, e John, agora adulto, decide que é hora de partir para a cidade grande atrás do “futuro brilhante” idealizado pelo pai. Nova York surge como um mundo repleto de oportunidades, e John aguarda a sua."
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MINHA BELA DAMA (MY FAIR LADY, 1964)
"Minha Bela Dama é um dos melhores musicais de todos os tempos e também um dos filmes mais charmosos e extravagantes dos anos 60. Ponto final. O enorme sucesso, tanto na Broadway como no cinema, se deve particularmente às belas canções e aos sofisticados diálogos da dupla Alan Jay Lerner e Frederick Lowe, que adaptaram magistralmente a peça Pigmalião, idealizada pelo dramaturgo inglês Bernard Shaw há muito, muito tempo, às vésperas da I Guerra Mundial."
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HANNAH E SUAS IRMÃS (HANNAH AND HER SISTERS, 1986)
"Mickey Saxe é um produtor de tevê. É também a mais perfeita caracterização de um hipocondríaco. Sente que a audição de um dos ouvidos está comprometida e corre para fazer os exames necessários. Os médicos detectam algo estranho nas radiografias, e isso faz com que Saxe passe dias imaginando o pior, que está prestes a morrer de um tumor no cérebro... Após uma conversa definitiva com seu médico e descobrir que suas suspeitas não tinham fundamento, ele parte para uma espécie de jornada espiritual, em busca de 'algo em que acreditar'."
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ONDAS DO DESTINO (BREAKING THE WAVES, 1996)
"Tem algo de sádico no cinema do dinamarquês Lars von Trier. Basta prestar atenção no sofrimento das duas últimas personagens centrais criadas por ele: a Selma, de Dançando no Escuro, e a Grace, de Dogville e Manderley. Há uma preocupação constante de denunciar o quanto as pessoas podem ser ruins para com as demais, inclusive para com personagens que seriam fortes candidatas a um Nobel ou a uma canonização, tais como a já citada Selma ou, melhor ainda, a peculiar Bess, de Ondas do Destino. É neste último que a implausibilidade chega a seu clímax, numa ácida crítica aos princípios morais que a Igreja imprime na população de modo a não deixar escapatória, sem nenhuma chance de redenção, a menos que sejam seguidos à risca. "
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DESENCANTO (BRIEF ENCOUNTER, 1945)
"É incrível como uma mesma cena pode nos sensibilizar ao vê-la mais de uma vez, sob um contexto completamente diferente. Uma mulher e um homem estão conversando na lanchonete de uma estação de trem, aparentemente dois conhecidos que se cruzaram botando o papo em dia. Quase ninguém os nota, o estabelecimento está cheio. Mas é estranho: os dois estão sérios e compenetrados, o assunto não deve ser o mais agradável do mundo. Eis que surge uma amiga dela chamada Dolly. A amiga é muito falante, alegre e indiscreta. “Este é o dr. Harvey”, apresenta Laura. Dolly metralha seus companheiros com trivialidades, mas ninguém parece escutá-la."
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REDE DE INTRIGAS (NETWORK, 1976)
"Esta é a história de Howard Beale, apresentador do telejornal da rede UBS. Houve o tempo em que Howard Beale era um mandachuva na televisão, o poderoso senhor do jornalismo, com audiência de 28 pontos. Mas, em 1969, sua sorte começou a mudar. A audiência caiu para 22; no ano seguinte, sua esposa faleceu. Viúvo, sem filhos, uma audiência agora de 12 pontos. Howard passou a se atrasar, a se isolar e a beber em excesso. Em 22 de setembro de 1975, sua demissão foi-lhe anunciada, com duas semanas de antecedência, por Max Schumacher, presidente do serviço de notícias da UBS.”
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TUDO O QUE O CÉU PERMITE (ALL THAT HEAVEN ALLOWS, 1955)
"Douglas Sirk será sempre lembrado como o mestre supremo do melodrama. Por cerca de dez anos, realizou uma série de filmes para a Universal que lotavam as salas de cinema e dobravam as vendas de lenços de papel. Seus filmes eram recebidos com frieza pelos críticos da época, hoje, porém, a situação é inversa. Filmes como Sublime Obsessão e Almas Maculadas são menosprezados pelo grande público e laureados por cinéfilos e especialistas do mundo inteiro."
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A RODA DA FORTUNA (THE BAND WAGON, 1953)
"O personagem mais recorrente na filmografia de Fred Astaire é o do consagrado entertainer prestes a lançar um novo espetáculo ou em busca de parcerias para seu show. Vemos a história se repetir em clássicos como Desfile de Páscoa, Duas Semanas de Prazer ou Três Palavrinhas. A coisa muda um pouco em A Roda da Fortuna, obra máxima de Vincente Minnelli. A diferença é que, neste caso, Fred Astaire interpreta Tony Hunter, um ator e dançarino (e colecionador de arte) cuja carreira em Hollywood não vai muito bem das pernas."
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SALÒ, OU OS 120 DIAS DE SODOMA (SALÒ O LE 120 GIORNATE DI SODOMA, 1975)
"Se o filme Salò fosse lançado este ano, na certa não provocaria nem metade da polêmica que causara em 1975, quando foi de fato exibido pela primeira vez, justo no ano em que Pier Paolo Pasolini, seu realizador, faleceu. De qualquer maneira, ele continuará proibido em certos países por mais alguns anos. E sabe por quê?! Bem, quem assiste a Salò tem a resposta na ponta da língua...O filme já ganhou toda a sorte de adjetivos: pornográfico, amoral, infame, doentio, etc."
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CIDADE DOS SONHOS (MULHOLLAND DR., 2001)
"Os 10 primeiros anos do novo século ainda nem chegaram ao fim, e eu já tenho um forte candidato ao título de “melhor filme da década”. Trata-se de Cidade dos Sonhos, do americano David Lynch, um trabalho tão subversivo quanto transcendental. Desde que foi exibido pela primeira vez, no Festival de Cannes de 2001, até hoje, inúmeras teorias que tentam explicar seu enredo invadiram sites e blogs especializados. De fato, é muito difícil (eu diria quase impossível) alguém desvendar seu mistério logo na primeira vez a que o assiste."
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VERGONHA (SKAMMEN, 1968)
"Somente quem passa por uma guerra tem a noção do inferno. A Suécia é um país pacífico, permaneceu neutra durante todos os conflitos mundiais do século 20 e não faz parte de nenhum tipo de aliança militar. Pode-se dizer que os suecos têm uma vida tranqüila e pacata. Isso não impediu Ingmar Bergman de realizar um dos melhores filmes antibélicos que eu já vi. Vergonha foi lançado em 1968, ano marcado por rebeliões violentas na Europa e na Ásia, pelo começo da Guerra do Vietnã e pelo auge da paranóia americana com a Guerra Fria. Nele, assistimos a uma guerra fictícia, inventada por Bergman, sob o pretexto de advertir o mundo."
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A NOIVA DE FRANKENSTEIN (BRIDE OF FRANKENSTEIN, 1935)
"Mary Wollstonecraft Shelley foi, sem sombra de dúvidas, a figura feminina mais importante da literatura mundial. Com Frankenstein, revolucionou para sempre dois gêneros que usualmente são obliterados, tidos como inferiores: a ficção científica e o horror. No entanto, Frankenstein não se trata apenas de uma história com cientistas malucos ou monstros que provocam arrepios em mulheres e crianças. É uma trama psicológica carregada de nuances dramáticas, uma crítica à obsessão do homem em desafiar as leis da natureza e da criação divina e, sobretudo, um manifesto contra o preconceito e a intolerância."
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O RAIO VERDE (LE RAYON VERT, 1986)
"Existe algo mais chato do que viajar de férias sozinho? Bom, há quem prefira, mas este não é o caso de Delphine, a personagem principal de O Raio Verde, do francês Eric Rohmer. O filme expõe a dificuldade de Delphine em se adaptar ao modo de vida dos amigos e das pessoas que ela vai encontrando ao longo da trama. Ela é uma jovem secretária parisiense que almeja passar suas férias ao lado do namorado. No entanto, ela está sozinha, foi largada pelo companheiro recentemente, daí passa o verão em meio a uma crise de aborrecimento e choro."
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LANTERNAS VERMELHAS (DA HONG DENG LONG GAO GAO GUA, 1991)
"Quase quatro décadas antes de sua conturbada Revolução Cultural, que subverteria a estrutura política e a ideologia de toda uma nação, a China ainda preservava algumas tradições milenares. Uma delas dava total liberdade a qualquer homem abastado de possuir o número de esposas que ele bem desejasse. “Possuir” é o termo correto, já que as mulheres eram compradas de suas famílias por meio de dotes. A partir daí, a situação dessas mulheres seria a de propriedade do marido."
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SABES O QUE QUERO (THE GIRL CAN'T HELP IT, 1956)
"Ainda que Jayne Mansfield tenha trabalhado com diretores consagrados como Raoul Walsh e Stanley Donen, somente Frank Tashlin conseguiu dar a ela o ensejo de mostrar sua competência para a atuação e, de quebra, transformá-la em um dos maiores símbolos sexuais de todos os tempos. Jayne fez pouquíssimos filmes de sucesso, teve sua carreira marcada pelas inúmeras comparações com Marilyn Monroe e esteve prestes a ruir no esquecimento. Em 1967, porém, um acidente de carro tirou-lhe a vida e, imediatamente, transformou-a num mito."
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